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ATUALIZADO | Cenário Brasileiro Econômico & Negócios para 2018 em Perspectiva


Nicholas Merlone 

Há uma nova crise global financeira possível no horizonte, mas improvável.

+++ATUALIZADO

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Nova Crise Econômica Global no Horizonte? 2008, again?!

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Considerando o cenário externo favorável, a exemplo da reforma tributária aprovada pelo presidente americano Donald Trump, o Brasil tem chances de progredir em 2018, em que pese alguns fatores.

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Pixabay

Temos uma combinação de fatores importante. O Produto Interno Bruto (PIB) tem alta, o desemprego, a inflação e a taxa de juros têm queda. Vale dizer que a taxa de juros está mais baixa em comparação com o patamar histórico, atingindo 7%, podendo cair ainda mais em 2018.

Isso certamente influencia o crédito e o consumo, o que movimenta a economia.

Além disso, o governo atual realizou medidas relevantes, apesar de sua crise moral. Tais como corte de gastos, ajuste fiscal e reformas necessárias. A Reforma Trabalhista já em vigor trouxe alterações importantes nas relações de trabalho, permitindo que mais pessoas pudessem ser contratadas pelo regime do direito do trabalho, recebendo a proteção legislativa necessária. Por outro lado, a Reforma Previdenciária ainda caminha incerta. Na verdade, não foi aprovada agora em 2017 e, dificilmente, será aprovada em 2018, ano de eleições. Ainda quanto a reformas, a Tributária urge e deve ocorrer para simplificar e desburocratizar as relações empresariais com o Estado. Apesar de tudo, a reforma trabalhista foi aprovada e a da Previdência, embora com obstáculos, é bem conduzida pelo Presidente Temer, que vai poder talvez surpreender e aprová-la o quanto antes.

Eleições 2018? Há o consenso de que as incertezas políticas quanto às Eleições do ano que vem, poderão impactar o cenário econômico do País. Acredito, no entanto, que independente de extremos ou indefinições políticas, o presidente eleito deve deixar de lado o populismo e agir como estadista com medidas reformistas mesmo que desagrade o povo. Deve governar para o bem do Estado brasileiro e não para interesses pessoais ou particulares.

Nesse sentido, apesar de muitos não verem Lula com bons olhos, e ele ainda talvez ser condenado no Tribunal Regional Federal da 4ª. Região (TRF-4) impossibilitando sua candidatura, não o defendo, mas acredito não teria problemas caso se elegesse, haja vista que quando foi presidente nomeou Henrique Meirelles para presidente do Banco Central, fazendo uma boa política econômica. Caso possa se candidatar, dessa vez, deverá focar seu discurso na classe média. Setor social que negligenciou no passado. Na realidade, o ex-presidente não precisa focar em discurso moral. O povo tem a boa lembrança de tempos melhores na economia, o que, com certeza, lhe angaria votos.

Nesse cenário, pode ocorrer um melhor desenvolvimento econômico, com respeito ao Meio ambiente. Ferramentas tecnológicas (como a Ecoagricultura e a inteligência competitiva) têm sido aplicadas ao agronegócio com sucesso, aumentando os lucros e a produção, sem prejuízos ambientais.

Igualmente, há a Indústria 4.0, que também traz inovação, tecnologia e automação, impulsionando o crescimento industrial.

Enquanto isso, o Varejo e os serviços têm alta. Aos poucos, os consumidores e empresários retomam a confiança e exercem seus papéis.

Vale frisar aqui o caráter indispensável do ser humano para certas funções, de modo que, por mais que ocorra a automação (agronegócio, indústria e serviços), sempre haverá tarefas que somente os seres humanos poderão desenvolver.

Neste ponto, vamos tratar um pouco sobre o Mercado Financeiro. Os Bancos têm tido desempenho favorável na Bolsa de Valores, bem como esta última tem tido sucessivas altas, fechando o ano em alta. Na realidade, com o surgimento das Fintechs (Start Ups financeiras) e todas as inovações que surgem, como pagamentos via aplicativos e smartphones, muito se fala realmente sobre inovações.

Porém, é preciso ter em mente que é preciso conciliar a vanguarda e a tradição com a capacidade transformadora. Embora se fale em bancos virtuais, o atendimento olho a olho, com a experiência pessoal, é fundamental nas relações entre instituições financeiras e clientes.

Quanto aos Bitcoins, desconhece-se seu real criador. Trata-se de moeda virtual sem regulação por um órgão central, mas por um mecanismo chamado Blockchain. A moeda virtual acredito que se trata de inovação que veio para ficar, mas como já disse antes, primeiro acredito que devido a suas valorizações exorbitantes, poderá virar uma Bolha, assim como as empresas de tecnologia de Internet no passado. A mídia expôs as moedas virtuais em evidência. Muitos investidores migraram para o setor, sonhando com dinheiro fácil. A queda poderá em alguns casos ser brusca. Em que pese isso, já há bolsas de valores pelo mundo que transacionam essas moedas, bem como corretoras de valores específicas sobre o tema.

Podemos comparar o Bitcoin com o Orkut e o Uber. Anos atrás, o Orkut firmou na sociedade global o conceito de redes sociais, abrindo caminho, por exemplo, para o próprio Facebook. O Uber, hoje, com problemas, abriu terreno para outros aplicativos de transporte mais melhorados, com serviços melhores. Assim, o Bitcoin firmou a ideia da moeda virtual, podendo igualmente pavimentar caminhos para outras moedas virtuais que já existem.

No que se refere aos investimentos, em geral, temos que o importante aí é não botar o dinheiro da feira e do leite nos investimentos. Deve-se diversificar as opções de investimentos. Ainda na Bolsa de Valores diversificar a carteira de ações. É certo que ouvimos alguns dizendo que fulano perdeu muito dinheiro, como fazendas inteiras, por causa da Bolsa de Valores. Ora, não se deve colocar todo o dinheiro em uma só cesta ou aplicação. Deve-se separar montante específico para tanto.

Além disso, há perfis de investidores. Para traçar sua estratégia nos investimentos, é preciso conhecer seu perfil (Conservador, Moderado, Agressivo). A partir daí, traçar caminhos para os investimentos, sempre diversificados.

Tem ocorrido também grandes negócios com Start Ups, Venture Builders, Fintechs, HRtechs, enfim, a mídia vem divulgando inúmeros casos de sucesso nessas áreas. Mas, me pergunto o que acontece com todos os outros casos que não dão certo, que fracassam. Em que pese isso, há diversas formas de buscar financiamentos e mentorias no setor, tais como investidores anjos, crowdfunding, incubadoras etc.

Diante disso, o Empreendedorismo de fato é uma saída da crise para o sucesso profissional. É preciso inovar com criatividade e originalidade, com os pés no chão, haja vista as incertezas que cercam o cenário econômico. Para tanto, é preciso se informar e buscar apoio como no Sebrae, Associações Comerciais, ONGs e outros. Nessa direção, micro empreendedores podem trilhar seus caminhos e obter êxitos em seus negócios, usufruindo de tributação simplificada e menos burocracia, com acesso a investimentos.

Em todo esse cenário, é preciso, por fim, uma agenda progressista no campo dos direitos civis. Mulheres, Deficientes, Homossexuais e Negros devem ser valorizados, sendo protegidos contra abusos e preconceitos. Como exemplo, as mulheres ainda hoje sofrem assédio no trabalho e ganham menos do que os homens. Os deficientes têm dificuldades de locomoção e acessibilidade. Os homossexuais sofrem violências verbal e física. Os negros sofrem racismo e preconceitos. Enfim, são parcelas da sociedade que merecem atenção, respeito e compreensão.

Finalmente, o cenário é sim incerto. Mas não é tão desesperador. Há boas chances de impulsionar o crescimento e valorizar o capital humano em prol do desenvolvimento sustentável da economia, com os olhos voltados para o bem da sociedade no horizonte que se extende.

S. Paulo, 30 de dezembro, 2017.

Nicholas Merlone
www.nicholasmerlone.com.br
nicholas.merlone@gmail.com

Pedido de Natal: O que desejamos para o Brasil.


Carteira, Cartão De Crédito, Em Dinheiro


Estadão

A eleição pode ser uma excelente oportunidade para analisarmos como melhorar a produtividade e recolocar o Estado a serviço da população

*Marcelo Kfoury Muinhos

Se pudéssemos pedir para Papai Noel um presente para o Brasil, as últimas pesquisas de opinião sugerem que a maioria dos brasileiros pediria melhores políticos e menos corrupção. Porém, mesmo sendo um desejo absolutamente legitimo, não acho que isso seria o meu “milagre favorito” para o País, pois a corrupção é mais consequência do que causa das nossas mazelas. O meu pedido seria que de um passe de mágica houvesse um salto na produtividade da economia. 

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'El País': Brasil retomou seu rumo

Jornal do Brasil

Jornal espanhol publicou artigo do presidente Michel Temer

A edição desta segunda-feira (13) do jornal espanhol El País traz um artigo escrito por Michel Temer, presidente do Brasil. 

O texto fala sobre equilíbrio fiscal, responsabilidade social e aumento da produtividade como eixos da reforma promovida no país para conter a grave crise econômica.

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MOMENTO | Bolsa de Valores


UOL economia | Ibovespa opera em baixa com EUA e política; dólar é cotado à R$ 3,26.

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Diário de Pernambuco - economia | Com nova regra, Eletrobrás terá de cortar R$ 2 bi 

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Isto É |  BRF: perspectiva de aumento do preço do milho em 2018 pressiona ações da empresa

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Época Negócios | Petrobras e BB têm nota 10 em índice de governança da administração Temer

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EXTRA | Ecorodovias tem lucro maior no 3ºtri com aumento de tráfego e queda de juros

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Breves Notas:   

(1) O cenário econômico norte-americano de incertezas com sua reforma tributária, aliado às indefinições políticas no Brasil, como a dúvida se a Reforma da Previdência sai ou não ainda esse ano, levam a queda da Ibovespa;

(2) Na Bovespa, dentre as companhias com ações em queda se encontram a Eletrobrás e a BRF;

(3) Por sua vez, Ecorodovias, Petrobrás e Vale registram altas.

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Hora do cafezinho

Resumo dos principais balanços de empresas brasileiras do 3T17

Acompanhe o resumo dos principais resultados financeiros de empresas brasileiras referentes ao terceiro trimestre e acumulado do ano apresentados na noite desta quinta-fera (09) e nesta sexta-feira.
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Ibovespa opera em baixa com EUA e política; dólar é cotado a R$ 3,26... - Veja mais em https://economia.uol.com.br/noticias/valor-online/2017/11/10/ibovespa-opera-em-baixa-com-eua-e-politica-dolar-e-cotado-a-r-326.htm?cmpid=copiaecola

Aloysio tentará explicar em Roma por que Battisti ainda não foi extraditado

Na segunda-feira, Aloysio Nunes Ferreira, ministro das Relações Exteriores, terá uma reuniã em Roma com o seu homólogo italiano, Angelino Alfano.

O assunto da extradição do terrorista Cesare Battisti é incontornável.

Aloysio tentará explicar a Alfano por que o STF, que já julgou que Battisti pode ser extraditado por decisão do presidente da República, ainda não julgou outra vez que Battisti pode ser extraditado por decisão do presidente da República.

Fonte: O Antagonista.

EDUCAÇÃO | 4 coisas ainda desanimadoras da rotina do professor no Brasil - e 3 coisas que estão melhorando

BBC BRASIL

Professora em sala de aula em Curitiba, em foto de arquivo 

Ninguém questiona a importância da educação e do professor para o avanço do Brasil, mas como fazer para que isso seja efetivado costuma gerar bastante debate - e esforço.

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VIDA SAUDÁVEL | União recorre contra liberação de cirurgia de bebê brasileiro em Miami

GAZETA NEWS


União acumula multa de mais de R$300 mil por não cumprir a sentença

 
Samuel Soares dos Santos possui a síndrome de Bernord.
Foto: arquivo pessoal.
Desde julho deste ano, quando foi autorizada pela justiça brasileira, o bebê Samuel Soares dos Santos, de 1 ano e 11 meses, aguarda a liberação para embarcar para Miami para fazer uma cirurgia de intestino no Memorial Jackon Hospital, onde outras crianças brasileiras já realizaram o transplante.
No dia 21 de julho, o desembargador federal Johonsom di Salvo expediu a liminar favorável e foi estipulado o prazo de 10 dias para que a União, que representa o Ministério da Saúde, cumprisse a determinação de custear a viagem e o tratamento em Miami, porém, em contato com a família e a advogada, o governo recorreu da sentença e até hoje o caso se estende na justiça.

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BOLETIM DE NOTÍCIAS DA TARDE | 39a. ed. - 10/10/2017

Amigos(as)!

Tudo bem?

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1 -  Folha On Line | Montadoras vão investir R$ 15 bilhões no país até 2022

Linha de producao da Mercedes em Sao Bernardo do Campo. Foto: Divulgacao ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM*** ORG XMIT: AGEN1709031713180097 ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM*** 

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2 - CE | Petrobras volta a alterar preços de combustíveis

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3 - BBC BRASIL | FMI: Apesar de melhora em previsão, Brasil terá 4º pior crescimento das Américas

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4 - VEJA | Com ‘A Força do Querer’, Globo ganha quase dez pontos no Ibope

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OPAS/OMS Brasil | Ministros da Saúde das Américas se juntam para definir ações em prol da saúde da população

22 de setembro de 2017 – Ministros da Saúde de todas as Américas se reunirão na próxima semana, na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), para definir políticas de saúde pública, que abordem os principais desafios e orientem a cooperação técnica da organização em cada país.
Na 29ª Conferência Sanitária Pan-Americana, a ser realizada de 25 a 29 de setembro na sede da organização em Washington, D.C. (Estados Unidos), os Estados membros da OPAS também elegerão o próximo Diretor da Repartição Sanitária Pan-Americana, o secretariado da OPAS. A pessoa eleita assumirá um mandato de cinco anos em 1º de fevereiro de 2018. Dominica apresentou a candidatura de Carissa F. Etienne, que é diretora da OPAS desde 2013. Ela é a única candidata que foi apresentada e, conforme o regulamento, pode renovar seu mandato por mais cinco anos.

conferencia sanitaria 28 











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CB | Presidente da China pede reformas aos integrantes do Brics

O grupo que impulsionou a expansão mundial na década passada teve performances díspares nos últimos anos, quando China e Índia mantiveram forte ritmo de crescimento, Brasil, Rússia África do Sul mergulharam na recessão

 Mark Schiefelbein/AFP 

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UOL | Só o Judiciário pode salvar Brasil do naufrágio, diz ministro do STF






Em evento do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que divulgou estatísticas sobre o poder Judiciário, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux disse enxergar a existência de um movimento que busca "minimizar" a atuação ... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/09/04/so-o-judiciario-pode-salvar-brasil-do-naufragio-diz-ministro-do-stf.htm?cmpid=copiaecola
Em evento do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que divulgou estatísticas sobre o poder Judiciário, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Luiz Fux disse enxergar a existência de um movimento que busca "minimizar" a atuação ... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/09/04/so-o-judiciario-pode-salvar-brasil-do-naufragio-diz-ministro-do-stf.htm?cmpid=copiaecola
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JB | 'Clarín': No Brasil, populismo morre, atacado pelo vírus da Justiça

Editorial descreve cenário político da América do Sul como labirinto

O jornal argentino Clarín publicou nesta segunda-feira (21) um editorial escrito pelo professor de relações internacionais Carlos Perez sobre a situação política de alguns países da América. 

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O mundo está mudando, e o Brasil ficando para trás

"O mundo está mudando, rápido e em todos os sentidos. Infelizmente, estamos absolutamente defasados e desinformados em relação a isso aqui no Brasil"

comida-na-china 
PAGAMENTO MÓVEL NA CHINA: nossas startups mais avançadas estão a quilômetros de distância do que está acontecendo em termos de tecnologia de ponta no mundo / Lucas Amorim/ Exame (Lucas Amorim/Revista EXAME)

"Duas semanas atrás, estive em Nova York participando de uma das maiores conferências de tecnologia do mundo. Com a presença dos CEOs e fundadores das empresas que mais têm crescido e se destacado nessa área, a conferência trouxe o que de mais moderno e disruptivo tem acontecido no mundo das Fintechs. Saí de lá assustado. Não só eu, mas quase todos os espectadores. Até mesmo os americanos, que após assistir às palestras e ter contato com as novas tecnologias e tendências não cansavam de repetir: “ I‘m scared!” (estou com medo)."
 
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Reflexões sobre Tecnologia & Inovação diante do contexto de nossa Constituição/88

MAIS UM BLOG / COLUNA - CONTEMPORANEIDADES
Blog do Edson Schrot | Inovação em Pauta 

BREVE INTRODUÇÃO


Num cenário, onde o Google financia projetos que usam inteligência artificial para gerar notícias; onde a medicina utiliza inteligência artificial para curar o câncer; ou ainda as relações de trabalho são projetadas cada vez mais em competência tecnológica; é preciso conhecer as perspectivas sobre o assunto, para melhor se situar no tema. Para ilustrar: “Enquanto a crise atrasa o país, as empresas mais inovadoras ampliam as parcerias para encontrar novas formas de captar ideias e pulverizar investimentos” (cf. Felipe Datt.Tendências. In: Inovação Brasil. Valor. Julho / 2017) Na pesquisa realizada pelo Valor em 2017, o percentual de companhias que investem mais que 5% da receita líquida em P&D cresceu de 20% para 24% Entre aquelas que investem entre 3% e 5% ocorreu estabilidade nos aportes. Segundo a matéria, a amostra, que agrupa 195 organizações de 18 setores, 87% com faturamento acima de R$ 1 bilhão, demonstra que a inovação ocupa espaço entre as 3 prioridades na agenda de 85% das empresas. Finalmente, conforme o DCI (Diário do Comércio, Indústria & Serviços), de 8, 9 e 10 de julho de 2017, a deflação pode acelerar a queda da taxa de juros, o que poderia impulsionar os investimentos nas empresas. Vejamos, assim, as disposições constitucionais sobre o tema, bem como o caso da propriedade intelectual no mundo digital, além do tema das patentes na área da saúde.

DISPOSIÇÕES GERAIS CONSTITUCIONAIS

Pois bem, trata-se de competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios: i)  proporcionar os meios de acesso, dentre outros, à ciência, à tecnologia, à pesquisa e à inovação;  (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) (Art. 23, V, CB)

Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: i) – dentre outros,, ciência, tecnologia, pesquisa, desenvolvimento e inovação;   (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) (Art. 24, IX, CB)


CAPÍTULO IV - DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO | CONSTITUIÇÃO      
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015)


O Estado deve promover e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa, a capacitação científica e tecnológica e a inovação.   (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) (Art. 218, CB)


A pesquisa científica elementar e tecnológica irá receber tratamento prioritário do Estado, haja vista o bem público e o progresso da ciência, tecnologia e inovação.  (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) (Art. 218, § 1º, CB)


A pesquisa tecnológica se voltará principalmente para a solução dos problemas brasileiros e para o desenvolvimento do sistema produtivo nacional e regional. (Art. 218, § 2º, CB)


O Estado irá apoiar a formação de recursos humanos nas áreas de ciência, pesquisa, tecnologia e inovação. Também através do suporte às atividades de extensão tecnológica, e irá conceder aos que delas se ocupem meios e condições especiais de trabalho.  (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) (Art. 218, § 3º, CB)


A lei irá apoiar e estimular as companhias que investirem em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que realizem sistemas de remuneração que garantam ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (Art. 218, § 4º, CB)


É possibilitado aos Estados e ao Distrito Federal atribuir parcela de sua receita orçamentária a entidades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica e tecnológica. (Art. 218, § 5º, CB)


O Estado, na execução das atividades, irá estimular a articulação entre entes, tanto públicos com privados, nas diversas esferas de governo.    (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) (Art. 218, § 6º, CB)


O Estado irá promover e incentivar a conduta no exterior das instituições públicas de ciência, tecnologia e inovação, com olhos à execução das atividades previstas no caput.  (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) (Art. 218, § 7º, CB)


O mercado interno integra o patrimônio nacional e deverá ser incentivado de modo a possibilitar o desenvolvimento cultural e sócioeconômico, o bem-estar da população e a autonomia tecnológica do País. (Art. 219, CB)


O Estado deverá estimular a formação e o fortalecimento da inovação nas organizações, assim como nos demais entes, públicos ou privados, a constituição e a manutenção de parques e polos tecnológicos e de demais ambientes promotores da inovação, a atuação dos inventores independentes e a criação, absorção, difusão e transferência de tecnologia.  (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) (Art. 219, Parágrafo único, CB)


A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios irão poder fixar ferramentas de cooperação com órgãos e entidades públicos e com entidades privadas, também para a partilha de recursos humanos especializados e capacidade instalada, para a execução de projetos de pesquisa, de desenvolvimento científico e tecnológico e de inovação, mediante contrapartida financeira ou não financeira assumida pelo ente beneficiário.   (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) (Art. 219-A, CB)


O Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação (SNCTI) deverá ser organizado de modo a colaborar entre entes, tanto públicos como privados, com olhos a propiciar o desenvolvimento científico e tecnológico e a inovação.  (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) (Art. 219-B, CB)


Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios legislarão concorrentemente sobre suas particularidades.   (Incluído pela Emenda Constitucional nº 85, de 2015) (Art. 219-B, § 2º, CB)


PROPRIEDADE INTELECTUAL NA INTERNET


O direito autoral se encontra tutelado no Brasil pela lei 9.610/98. Além disso, busca fundamento no art. 5º, XXVII e XXVIII, da constituição brasileira e, por fim, no código penal, no art. 184. O direito autoral tutela o titular do direito de autor. O direito autoral pode ser visto sob dois prismas: i) patrimonial; e ii) moral. O art. 7º, caput, da lei 9.610/98, protege os bens intangíveis no direito digital. No plano internacional, podemos citar a Convenção de Genebra (1952) que tratou do direito do autor. De acordo com a lei atual, no âmbito da Internet, é suficiente a reprodução não autorizada de uma obra, para configurar violação do direito de autor. (cf. Patricia Peck)


PATENTES NA ÁREA DA SAÚDE


Com a chegada da lei 10.196/2001, determinou-se que a concessão de patentes para produtos e processos farmacêuticos dependeria de prévia anuência da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Incorpora-se, então, a análise técnica da patente de medicamentos sob a proteção de sua função social. (cf. Raeffray)


SÍNTESE CONCLUSIVA


Diante da legislação pátria e da realidade que vivemos no país, há necessidade de revisitar as nossas políticas para a inovação e concretizar, no país, o vasto capítulo constitucional que trata do tema, sendo prioridade do Estado e das empresas.


Steve Jobs já dizia: “A inovação diferencia um líder de um seguidor.” Desse modo, podemos dizer que a inovação é o molho secreto da Apple. (cf. Carmine Gallo. Inovação a arte de Steve Jobs).  Será que como nação seremos sempre seguidores?


Acreditamos, assim, que a inovação deve permear as atividades empresariais, potencializando os seus efeitos e concretizando resultados. A disruptura dentro de um sistema organizacional pode ser positiva, trazendo consequências benéficas para a companhia e para a sociedade. Cabe apenas lembrar que o capital humano é fundamental nesse processo, devendo ser valorizado, como motor de combustão de novas conquistas.

Luís Roberto Barroso: Momento Institucional Brasileiro e Uma Agenda para o Futuro

Legislação & Direito

Por Nicholas Merlone

Publicado originalmente Aqui, no Contemporaneidades.
 
No dia 26 de junho, ocorreu a palestra “Momento Institucional Brasileiro e Uma Agenda para o Futuro”, proferida pelo Ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Roberto Barroso, no Insper, em São Paulo. Na ocasião, estiveram presentes Marcos Lisboa, presidente do Insper, e Caio Farah, da FGV-Rio, como debatedores.




Barroso iniciou sua palestra alertando que se vive um momento difícil, que podemos ser pessimistas. Segundo o ex-ministro do STF, Ayres Britto, por Barroso, seria como se o médico trouxesse uma notícia ruim para o doente. Teria um dia de vida. Desde quando? Ontem.  Porém, Barroso diz que do limão se pode fazer limonada, e daí aproveitarmos a oportunidade para contribuir para o desenvolvimento do País.

Barroso, assim, elenca três pontos: 1) fatos positivos da História do Brasil; 2) diagnóstico severo; e 3) reflexões sobre a agenda para o futuro.




Primeiro, temos 30 anos de democracia. Um longo período de instituições funcionando. Tivemos Impeachments de Presidentes, com a legalidade institucional funcionando; a inflação galopante do passado foi superada com o plano Real, trazendo a estabilidade frente à hiperinflação de múltiplos planos econômicos anteriores fracassados; e medidas contra a corrupção que vêm sendo bem sucedidas como o Mensalão e a Lava Jato. Além disso, tivemos uma relevante inclusão social - vitória contra a miséria; atingimos as metas do milênio, ocorreu o desenvolvimento humano, com a inclusão econômica, e, por fim, 30 milhões de pessoas deixaram a pobreza absoluta.


Segundo, um diagnóstico severo. Barroso discorreu sobre a corrupção e como esta se encontra entranhada nas instituições brasileiras. Segundo ele, trata-se de um pacto de cumplicidade, de modo a institucionalizar a corrupção. Para Barroso, não se salva o mundo com o Direito Penal, Estado Policial e o Poder Judiciário. É preciso, assim, investimentos em educação e a realização do debate público. O ministro aponta que o Direito Penal é ineficaz, uma vez que não pune poderosos (“ricos delinquentes”), os “crimes do colarinho branco”, “crimes contra a Administração Pública”. “O ganho é fácil e a pena é baixa”, o que estimula a corrupção. Ninguém deseja o Estado Policial. Os processos devem terminar, punindo-se os responsáveis. Princípios constitucionais como o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório, devem ser respeitados, para materializar o Estado Democrático de Direito em oposição ao Estado Policial. O Direito Penal, de outro lado, deve ser igualitário, punindo-se pobres e ricos, na medida em que ocorre a violação à lei.


É necessário um Estado que faça Justiça. O Ministério Público deve investigar pelo inquérito os ricos delinquentes. Para tanto, o Estado começaria a se democratizar, tornando-se uma República. Só que não. Temos no Brasil uma República de Bananas, que envia tudo para debaixo do tapete. Nessa disputa, é preciso escolher um lado: construir um país melhor, honesto. Acabar com a cultura de impunidade da corrupção. O STF deve responsabilizar penalmente o andar de cima. Importa dizer que a Jurisprudência no País muda conforme o réu.


A questão do Foro Privilegiado. O STF guardião da cidadania / justiça não deve julgar processo penal. A esse propósito: “Medida de proteção a membros de diversas esferas dos três poderes é questionada na Suprema Corte e enfrenta Propostas de Emendas à Constituição no Congresso com pedidos de restrição de alcance e até sua extinção”. A PEC (Proposta de Emenda Constitucional) n. 10 / 2013, após aprovação no Senado Federal vai iniciar a sua tramitação na Câmara dos Deputados. 

A PEC estipula a modificação de sete artigos da Constituição brasileira (arts. 53, 86, 96, 102, 105, 108 e 125) para extinguir o foro por prerrogativa de função em casos de crimes comuns, mesmo os realizados no decorrer do exercício do mandato, com exceções ao Presidente da República, aos Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e ao Presidente do STF. A proposta depende da aprovação das Comissões da Câmara e de três quintos do Plenário, em dois turnos, além da sanção presidencial. (v. Evolução da democracia brasileira. Qual o Limite do Foro Privilegiado? Jornal do Advogado. Maio / 2017. Ano XLII. Número 427. OAB / SP. p. 16)


Ademais, segundo Barroso, deve haver uma reforma política para o Brasil. Em 2006, realizou uma proposta sobre o sistema partidário, em um trabalho acadêmico. Hoje, defende o modelo do semipresidencialismo, em que o Presidente nomeia o Primeiro Ministro indicado pelo Congresso Nacional, nomeia os cargos das relações internas, trazendo estabilidade. Com relação ao sistema eleitoral, diz que o sistema proporcional é problemático, já que muitos são eleitos sem terem quantidade de votos suficientes, sendo “puxados” por outros com votação expressiva. Assim, a solução seria o sistema distrital misto, uma vez que aproxima o eleitor do político. Além disso, defende a cláusula de barreira para evitar a proliferação de partidos. Numa democracia, não seria papel do Judiciário judicializar a política. Seria preciso, sim, acabar com o sistema que fomenta a corrupção, mudando o sistema eleitoral. No cenário, atenta para as verbas desviadas que poderiam ser utilizadas para saúde, educação e estradas.


Então, defende com urgência uma reforma do sistema político. Caso contrário, se andaria em círculos. Seria preciso um novo sistema, com jovens na política. No mais, as relações entre os Poderes se caracterizam pelo fato de as instituições estarem funcionando bem, atendendo as demandas sociais, de modo que não cabe ao Judiciário ser garantidor dos direitos, não deve ser protagonista nesse panorama. Infelizmente, tem ocorrido a judicialização das demandas sociais, uma vez que estas não estão sendo atendidas pelos Poderes Políticos, que na verdade deveriam concretizá-las. É, assim, necessário um diagnóstico necessário, correto. “Não podemos varrer a corrupção para debaixo do tapete”, afirma Barroso. Deve-se evitar se tornar uma República de Bananas. A Reforma Política deve, através do povo, exigir que o Congresso Nacional acabe com a usina de corrupção.

Terceiro ponto: reflexões sobre a agenda para o futuro. Para Barroso, deve-se concretizar o que chama de Sistema Liberal Progressista. Este último se funda em um tripé: 1) Democracia; 2) Livre iniciativa; e 3) Distribuição de Renda.


A Democracia deve materializar o governo do povo. A Livre iniciativa deve trazer inovação, competição para o sistema produtivo, perdendo o preconceito e desconfiança por parte de uns, na visão de que lucro e sucesso são ruins. Deve-se, assim, incentivar o empreendedor inovador. Para Barroso, não cabe mais o Capitalismo de Estado, com financiamentos públicos, sem igualdade social. É preciso rever a cultura vigente, de forma que o palestrante menciona “A Ética Protestante e o ‘Espírito’ do Capitalismo” de Max Weber.


No que se refere à obra de Weber, cabe dizermos que busca compreender um fenômeno notado na passagem do séc. XIX ao XX: o maior desenvolvimento capitalista dos países protestantes e de mais protestantes entre os proprietários do capital, empresários e outros de níveis superiores de mão-de-obra qualificada. Weber buscou solucionar a esse tema para que o capitalismo fosse compreendido não em termos estritamente econômicos e materiais, como um modo de produção, mas como um “espírito”, ou seja, uma cultura, uma conduta de vida, cujas bases morais e simbólicas se encontram enraizadas na tradição religiosa dos povos de tradição protestante puritana. (cf. Max Weber. A Ética Protestante e o “Espírito” do Capitalismo.)


É preciso, assim, um redimensionamento do Estado, segundo Barroso. Deve-se buscar um Estado mais enxuto, reduzindo-se drasticamente o Estado brasileiro. Nesse cenário, devemos derrotar a crença de que onde estão os programas sociais se gasta grande parte do orçamento. Devem-se, então, valorizar a livre iniciativa e buscar o redimensionamento do Estado.

Nesse quadro, Barroso tratou também da Reforma da Previdência. Hoje, há um déficit de R$ 180 Bi. É, portanto, preciso atentar para a situação. Igualmente, Barroso abordou a Reforma Tributária, devendo-se simplificar o sistema e, além disso, realizar a compliance tributária e buscar um modelo mais retributivo. Quanto à reforma trabalhista, é preciso valorizar os direitos sociais num sistema onde não se cumpre a lei.


Apesar de tudo, o melhor caminho é a Educação. Esta última deve estar no topo da lista, ser um projeto de País. Porém, é subvalorizada. Deve ter um planejamento a longo prazo, sendo uma política suprapartidária. Não deve ser alvo de disputas políticas. Na crise econômica e política do País, valorizaram-se o Ministro da Fazenda, o Presidente do Banco Central e do BNDES, sendo a Educação objeto de racha político. É preciso, assim, uma educação de qualidade, com a pedagogia moderna, trazendo afeto, respeito e conhecimento para a sala de aula.


Nesse sentido, é preciso, segundo Barroso, políticas sociais como as de habitação, mobilidade urbana e de saúde, para reduzir doenças como o Zika e a Dengue. Não somente atacar a crise fiscal.

É preciso saber que ser honesto vale a pena. É preciso gente qualificada trabalhadora. É preciso bons exemplos, gente séria. Como diz um presidente de Centro Acadêmico citado por Barroso, não queremos viver em outro país, queremos viver em outro Brasil.

Barroso, na ocasião, lembra da vinda da Família Real para o Brasil, em 1808. Somente nessa época melhorias foram realizadas. Os portos antes eram fechados. Não havia dinheiro, estradas, manufaturas e escolas. Trata-se, desse modo, de período recente da História Brasileira. Vivemos, então, numa época não tão distante.


Depois disso, no evento, realizou-se uma mesa de debates. Marcos Lisboa em tom pessimista levou Barroso a cogitar se seria o caso de estocar comida. Lisboa, assim, expôs na verdade, em tom menos pessimista, que, apesar de grande parte dos problemas já virem de longa data, estamos enfrentando-os. Todavia, faltaria transparência, clareza dos princípios políticos públicos. Para ele, a reforma da Previdência resolveria parte dos problemas, quando, de fato, os problemas na realidade seriam estruturais. A Previdência seria um problema a longo prazo, devendo-se parar de agravar os custos públicos. Segundo Lisboa, a agenda do País precisa de maior diálogo entre as diversas áreas, do Judiciário às relações econômicas. É preciso, assim, um maior diálogo entre a Economia e o Direito, de modo a “fazer o justo dar o possível”, para enfrentar os problemas.


Com relação à transparência pública, destacamos a Lei Federal de Acesso à Informação (Lei Federal n. 12.527/2011), bem como o Decreto Estadual de SP n. 60.144/2014, que institui a CEAI (Comissão Estadual de Acesso à Informação).


Nessa direção, é preciso instituir a accountability, ou seja, a prestação de contas. Isto é, não existe essa ferramenta no ordenamento jurídico, que, portanto, deveria ser instituída, como forma de fiscalização das contas públicas.

Caio Farah, o outro debatedor, diferencia dois tipos de discursos no tocante à corrupção. O moralizante que seria dogmático, pouco tolerante, podendo ser vazio. E o institucional com caráter programático.


Então, o debatedor aponta a corrupção pontual, podendo ser combatida pelo Direito Penal. E a corrupção sistêmica que se combate pela Educação.

Num momento de inflexão, tendo a operação Lava Jato como exemplo de combate à corrupção, indica na realidade que vivemos numa aliança oligárquica no Brasil, com políticos burocratas e não numa genuína democracia. Lembra, por fim, da série “House of Cards”, em que não se quer somente o dinheiro, mas, sim, a perpetuação no Poder.


Barroso, então, defende uma nova narrativa que una o País, um projeto de País na agenda política. Defende, assim, a multirreligiosidade, a livre iniciativa, o combate à pobreza. Critica as maquiagens das contas públicas, isto é, a contabilidade criativa e as pedaladas fiscais. Defende a consciência social e econômica brasileira. Lembra que os programas sociais na verdade começaram com Fernando Henrique Cardoso e, depois, tiveram seguimento com Lula. Aponta ainda a necessidade de inovação jurídica, em detrimento da burocracia legislativa. Diz que, na realidade, a corrupção não tem ideologia (esquerda ou direita). É preciso, assim, o apoio da sociedade unida, com a atuação em sintonia entre o Ministério Público e o Judiciário. Lisboa, no contexto, menciona que os programas sociais na realidade não contribuíram para atenuar as desigualdades sociais, mas para reduzir a pobreza extrema.


Aproximando-se do encerramento de nossa exposição, vale destacar, em tempo, no tocante à reforma política: “A reforma política constitui e tem se apresentado como tema recorrente a demandar a atenção da classe política, dos juristas que, invariavelmente, se envolvem na defesa ou na linha crítica de um ou outro de seus inúmeros e variados itens, dos cientistas políticos, sociólogos, filósofos, enfim, da própria imprensa e da mídia. A cada encerramento de consulta eletiva, proliferam os debates e as discussões acerca de um elenco inflacionário de propostas. Algumas do velho repertório, outras novas extraídas da engenhosa imaginação de seus criadores.” (v. Monica Caggiano. Reforma Política. Um Mito Inacabado. p. 12)


Diante do exposto, buscamos realizar um diálogo entre a Economia e o Direito, para nas palavras de Lisboa: “fazer o justo dar o possível”.

Pois bem, numa visão econômica: “A solução desse problema exige um esforço de reconstrução de estruturas tanto no sentido de dotar as economias de centros dinâmicos próprios como no de capacitá-las para uma ação mais flexível nos mercados internacionais.” (cf. Celso Furtado. Teoria e Política do Desenvolvimento Econômico. p. 280)


Enquanto isso, numa visão jurídica: “Em outras palavras, a estabilidade do regime ideal está em que a correlação entre as forças reais da sociedade possa se expressar também nas instituições políticas. Isto é, seria necessário que o funcionamento das instituições permitisse que o poder das forças sociais contrariasse e, portanto, moderasse o poder das demais.” “Lida desta forma, como propõe Althusser, a teoria dos poderes de Montesquieu se torna vertiginosamente contemporânea. Ela se inscreve na linha direta das teorias democráticas que apontam a necessidade de arranjos institucionais que impeçam que alguma força política possa a priori prevalecer sobre as demais, reservando-se a capacidade de alterar as regras depois de jogado o jogo político.” “No fundo, toda teoria política clássica é por natureza contemporânea.” (cf. Montesquieu. In: Weffort (Org.) Os Clássicos da Política. p. 120)


Portanto, depreende-se que é preciso rever as instituições econômicas, reconstruindo-se as estruturas de modo a se dotar a economia brasileira com centros dinâmicos próprios, bem como capacitá-la a uma ação mais flexível nos mercados internacionais. Igualmente, é preciso rever os arranjos institucionais para impedirem que alguma força política possa prevalecer sobre as demais, firmando-se a estabilidade do regime ideal, onde existe a correlação entre as forças reais da sociedade, expressando-se da mesma forma nas instituições políticas. Desse modo, é preciso que o funcionamento das instituições autorizasse que o poder das forças sociais contrariasse e, assim, moderasse o poder das demais. É preciso, assim, que Direito e Economia deem as mãos e juntos alterem as instituições anacrônicas brasileiras, possibilitando um desenvolvimento socioeconômico verdadeiro, sustentado em sólidas bases em prol da nação brasileira e do próprio País. Para tanto, é preciso um projeto de Estado em detrimento dos interesses pessoais egoísticos.


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